sexta-feira, 4 de março de 2011

Servir : Privilégio de Poucos

É natural ao coração humano a busca de conforto, status, poder e tudo quanto vem agregado a estas realidades. Tiago, João e sua mãe foram até Jesus solicitar tais privilégios na consumação do reino de Deus. Jesus não disse nem que sim, nem que não, mas aproveitou para reforçar que o reino de Deus é reino de servos e, portanto, os servos são os verdadeiros governantes do mundo. No reino de Deus, o privilégio e o ônus de governar não é das “pessoas importantes”, mas dos servos, até porque, governar é servir. No reino de Deus, a maneira de governar não é exercendo domínio sobre os governados, mas servindo os governados, até porque, governar é servir. Na lógica do reino de Deus, o oposto também é verdadeiro: servir é governar.

Para servir é necessário sair da zona de conforto, isto é, fazer o indesejado, dedicar tempo para tarefas pouco atraentes, assumir responsabilidades desprezadas pela maioria, fazer “o trabalho sujo”, enfim fazer o que ninguém gosta de fazer. Para servir é necessário vencer o orgulho, isto é, se dispor a ser tratado como escravo, ter os direitos negligenciados, ser desprestigiado, sofrer injustiças, conviver com quase nenhum reconhecimento, enfim, não se deixar diminuir pela maneira como as pessoas tratam os que consideram em posição inferior. Para servir é necessário abrir mão dos próprios interesses, isto é, pensar no outro em primeiro lugar, ocupar-se mais em dar do que em receber, calar primeiro, perdoar sempre, sempre pedir perdão, enfim, fazer o possível para que os outros sejam beneficiados ainda que às custas de prejuízos e danos pessoais.

Não é por menos que em qualquer sociedade humana existem mais clientes do que servos. Servir não é privilégio de muitos. Servir é para gente grande. Servir é para gente que conhece a si mesma, e está segura de sua identidade, a tal ponto que nada nem ninguém o diminui. Servir é para gente que conhece o coração das gentes, de tal maneira que nada nem ninguém causa decepção suficiente para que o serviço seja abandonado. Servir é para quem conhece o amor, de tal maneira que desconhece preço elevado demais para que possa continuar servindo. Servir é para quem conhece o fim a que se pode chegar servindo e amando, de tal maneira que não é motivado pelo reconhecimento, a gratidão ou a recompensa, mas pelo próprio privilégio de servir. Servir é para gente parecida com Jesus. Servir é para muito pouca gente.

Ed René Kivitz

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Até breve....

Olá leitores do blog refletir para amadurecer !!

Em breve teremos novos textos para a nossa edificação e crescimento.

Um grande abraço para todos e que vcs tenham um ano muito abençoado.


Pr. Fernando G Dias

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Esperança em tempos de injustiça


O presente artigo tem como objetivo avaliar a injustiça sob a perspectiva de Deus atuando na história. Creio que existem pessoas que contribuem para que a injustiça seja amenizada, porém, não é o objetivo deste artigo avaliar isso. O foco é a esperança oriunda da promessa de Deus que se cumprirá no advento de Cristo, onde as dores e as injustiças serão erradicadas.
Diante das injustiças praticadas no Brasil e no mundo, lembro-me das palavras de Rui Barbosa:
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
As palavras proferidas por Rui Barbosa tornam-se vivas nos dias atuais. Quando olhamos para a realidade brasileira percebemos muitas desigualdades, uns com muitos e outros com quase nada, muitas são as injustiças que rodeiam a nossa linda terra. Distribuição precária de renda, educação cambaleando, saúde precária, corrupção em muitos seguimentos, os que deveriam ser portadores de justiça são muitas vezes os que cometem mais injustiças. A injustiça pode causar pelo menos duas coisas na alma humana – dissipa a esperança e brota o desânimo. E para corroborar com este cenário, O Jornal O Globo (15/12/2010), publicou a seguinte matéria:
Câmara aprova salário de R$ 26,7 mil para parlamentares e presidente.
Tal informação trás tristeza, revolta e também alguns questionamentos, tais como:
(1) Vale a pena ser um cidadão honesto diante de tanta espoliação? (2) Será que um dia as injustiças terão fim? (3) Será que ter esperança em dias melhores em meio a tantas desigualdades não é alimentar uma utopia? (4) Até que ponto as injustiças tem me cauterizado à  ponto de me desumanizar? (5) Há esperança de que um dia a justiça será manifesta?
Como ser humano, posso ter algumas visões acerca da vida. Por exemplo: Posso vê-la pela perspectiva Grega (A história é “cíclica”, isto é, as coisas apenas se repetem), Existencialista ateísta (Para eles a história é sem sentido. Vive-se um niilismo) ou a mesma caminhando para o cumprimento dos propósitos de Deus (A história move-se em direção a um alvo. Ela (história) não é uma série de ciclos repetitivos sem sentido, mas através da história Deus realiza seus propósitos para o homem e o universo).
Quando olho para as páginas da Bíblia, não encontro nela respaldo para a visão grega e existencialista ateísta, contudo, ela reverbera Deus agindo na história e a mesma caminhando para a consumação das suas promessas. Quando se olha para o presente, o que salta os olhos são as injustiças com suas várias facetas, no entanto, quando se crê nas promessas de Deus, o que enche o nosso coração de alegria e gozo são as suas palavras de esperança, tais como: Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça.” 2ª Pedro 3.13 e “Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” Apocalipse 21.4
O cerne da promessa de Deus é o seu reinado por completo, no fiel e poderoso cumprimento de suas promessas. Somos peregrinos nesta vida, mesmo a mesma com todas as suas contradições e mazelas. Peregrinamos aguardando a concretização das suas promessas no futuro, ou como disse Jürgen Moltmann: “Reino de Deus significa originariamente reino em promessa, fidelidade e cumprimentos. A vida neste reino significa, portanto, peregrinação histórica (...) frente ao futuro. Trata-se de uma vida que é recebida por promessa e está aberta para a promessa.”
Olho para as injustiças e espoliações muitas vezes consternado e, é exatamente neste momento que devemos cuidar para não sermos cauterizados à ponto de agirmos como agentes de injustiças. Se olharmos para o presente como uma sucessão de fatos que se repetem, iremos sucumbir em meio ao deserto das dores. Se olharmos para o presente como fatos sem sentido, a nossa alma cairá indubitavelmente num vazio existencial, mas se olharmos para o mesmo crendo num futuro de esperança baseado nas promessas de Deus, reluzirá em nossas vidas mananciais que jorrará sentido, significado e propósito a nossa peregrinação e assim poderemos dizer como João:
“Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” Apocalipse 21.4

Pr. Fernando G Dias
   



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Natal: Presente de Deus para você!


O presente artigo visa avaliar o verdadeiro sentido do natal, para nos auxiliar neste intento utilizarei o texto de João 3.16.

Dezembro é um mês que causa muitas alegrias em virtude da proximidade do natal e do findar do ano, esperanças são renovadas, famílias são reconciliadas e como bons brasileiros, na época natalina, não poderia deixar de ter as famosas guloseimas, bebidas e consumos como de praxe. Em meio a esta efervescência, o cerne do natal é substituído ora por comidas, por bebidas e por badalações.

Nesta breve reflexão, algumas perguntas devem emergir, são elas: (1) O que motivou o nascimento de Cristo? (2) O que Ele fez de concreto por mim? (3) O que eu ganho com o seu nascimento? e (4) O que eu tenho que fazer para me apropriar das benesses do seu nascimento? 

Com base em João 3.16,  procuraremos elucidar essas perguntas. Diz o texto: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

(1) O que motivou o nascimento de Cristo?
O texto citado vai nos instruir que o amor foi a motivação “Porque Deus amou”. Esse amor incomensurável de Deus por nós levou ao nascimento do seu filho, quando olhamos para Jesus e  seus atos, percebemos quão distante está à humanidade de Deus. Somos seres humanos caminhando como desumanos. O que tem imperado em muitas vidas são: egoísmo, individualismo, narcisismo, corrupção com suas facetas, famílias torturadas pelos filhos envolvidos em drogas, pais sem respeito para com os seus filhos. Diferentemente de nós, que muitas vezes, diante das mazelas do próximo já não nos importamos mais, estamos tão familiarizados com as misérias existências que nos tornamos indiferentes. Deus, porém, olha para a humanidade caída em suas dores e vazios enche-se de compaixão, Ele ama e por causa do seu amor, Cristo nasce.

(2) O que Ele fez de concreto por mim?
Quem ama cuida, quer o melhor para aquele que é objeto do amor. Quem ama toma atitudes concretas, ou nas palavras de Erich Fromm:
 “(...) o caráter ativo do amor pode ser descrito afirmando-se que o amor, antes de tudo, consiste em dar, e não em receber. Cuidado e preocupação implica outro aspecto do amor: o da responsabilidade. Hoje em dia, muitas vezes se entende a responsabilidade como denotando dever, algo imposto de fora a alguém. A responsabilidade, porém, em seu verdadeiro sentido, é ato inteiramente voluntário; é a resposta que damos às necessidades, expressas ou não expressas, de outro ser humano.”
Ao ver as necessidades expressas do ser humano,  Deus concretiza o seu amor por nós dando o que Ele tinha de mais valioso, isto é, seu filho “...que deu o seu Filho unigênito...”

(3) O que eu ganho com o seu nascimento?
Quando ganhamos um presente, espera-se que o mesmo atenda as nossas expectativas e necessidades. Fazendo uma analise rápida da sociedade, percebe-se em muitas vidas – desespero, angustia, falta de sentido, carências diversas, no entanto, todos ansiamos por uma vida melhor em todos os aspectos. Muitas pessoas estão buscando preencher essas lacunas existenciais, ora com drogas, ora com bebidas, ora com sucesso, prostituindo-se, mas aprouve a Deus suprir essas lacunas nos amando, tornando real este amor na pessoa de Jesus e nos presenteando com vida aqui e pós morte ...não pereça, mas tenha a vida eterna...”

(4) O que eu tenho que fazer para me apropriar das benesses do seu nascimento? 
Nós seres humanos, muitas vezes damos algo e esperamos retorno, porém, com Deus não é assim, Ele não nos cobra nada, deu o seu filho gratuitamente e com isto, podemos crê ou não, na obra de Cristo pela humanidade. A vida que Deus tem para cada um de nós, vida bem vivida, com sentido, significado e propósito em nossa peregrinação, encontra-se em Jesus Cristo e o que temos que fazer é “...para que todo aquele que nele crê...”. A verdadeira vida, de paz, restauração das mazelas, das feridas da vida é possível para todos os que crêem.

Portanto, Natal significa amor (Deus amou de tal maneira), doação (deu o seu único filho), benefício (vida eterna) e crença (para aqueles que crêem).

                                                                                                                                   Pr. Fernando G Dias

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Tempo de refletir e amadurecer


“A sabedoria começa na reflexão.” - Sócrates

Sem dúvida nenhuma, estamos inseridos no mundo da informação e a cada dia ela está mais rápida e o acesso à mesma torna-se descomplicado, facilitando nossa vida. No entanto, com o advento da informação, fica patente que tê-la é uma coisa e que, refletir sobre a mesma, são outros quinhentos. 

Fazemos parte da geração self-service, isto é, uma geração que gosta de tudo rápido e que, de preferência,  não tenha que gastar tempo com nada. Ou, como disse Os Guinness: “Conclusões cuidadosamente consideradas sobre a vida e como melhor vivê-la são, inúmeras vezes, somente acidentes de percurso.”

No VII Congresso Internacional de Educação o Dr. Augusto Jorge Cury fez a seguinte ponderação: “(...) no mundo atual, apesar de termos multiplicados como nunca na história as informações, não multiplicamos a formação dos homens que pensam.” O corre-corre de nossa vida nos fazem, facilmente, desconsiderarmos um tempo para a leitura cuidadosa e reflexão mais profunda.

Pare e pense! - Quantas pessoas possuem o hábito de leitura? Quantas pessoas argumentam com base no que realmente sabem ou leram? Quantas ficam apenas nos achismos?

Quando não penso e não reflito sobre a informação que recebo, sou muitas vezes conduzido por ela. Os meios de comunicação são formadores de opiniões, ditam comportamento, estabelecem o certo e o errado. Logo, o que foi dito pelo Paulo Francis é uma realidade. Disse ele: "Quem não lê, não pensa, e quem não pensa será para sempre um servo." Muitas são as pessoas que são servas das informações, independente se tais informações estão certas ou não.

Lembro-me de certa feita que uma pessoa indagou o seu amigo sobre algo e prontamente o mesmo respondeu: Faço isso, porque todo mundo faz assim !!.

Reflexão requer esforço mental, tempo e consideração. Refletir dói, pois muitas vezes nos coloca diante da nossa finitude e pequenez. No entanto, diante da leitura cuidadosa e reflexiva, não apenas de informações, mas da nossa própria vida, nunca mais seremos os mesmos. Por quê? Porque começaremos a reciclar as nossas posturas, verdades e paradigmas diante da vida e das informações. Amadureceremos e assim, poderemos dizer como Paulo: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.”

Concluo este artigo com as palavras do Dr. Augusto Jorge Cury inseridas no livro Inteligência Multifocal. São elas: “Vivemos num mundo onde o pensamento está massificado, o consumo se tornou uma droga coletiva, a paranóia da estética controla o comportamento, as cotações do dólar e das ações nas bolsas de valores ocupam excessivamente o palco de nossa mente. Um mundo onde as pessoas buscam o prazer imediato, têm pouco interesse em pensar sua maneira de ver a vida e reagir ao mundo e principalmente em investigar os mistérios que norteiam a sua capacidade de pensar.”

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Stress e espiritualidade

A vida e a sociedade estão muito dinâmicas, as informações que temos estão cada vez mais rápidas com o advento da tecnologia. Concomitantemente, nessa dinâmica vivencial encontra-se o ser humano. Como fruto das mudanças ocorridas, o ser humano acaba experimentando situações de cobranças, pressão de todos os lados, situações inesperadas que acabam gerando no indivíduo o chamado stress, prejudicando a saúde mental, emocional e física. O Stress é apontado como o mal do século, definido pela Organização Mundial de Saúde como “Epidemia Global”, o stress atinge nove em cada dez habitantes do planeta.

O Stress é uma realidade, logo, algumas questões devem emergir para a nossa reflexão: (1) O que é o stress? (2) Quais os sintomas do stress? (4) Como o caminho da espiritualidade cristã pode nos ajudar amortiçar seus efeitos?

O presente artigo compreende que muitas vezes o uso de remédios são necessários para o restabelecimento daqueles que são acometido pelo stress, porém, o mesmo objetiva apresentar a espiritualidade cristã como alternativa para o equilíbrio do ser humano, tendo em vista que somos mais do que um ser bio-psíquico.

Stress(Fonte: IBAB) é o desequilíbrio do corpo/mente, resultante da tentativa de adaptação às pressões internas e externas.

Sintomas do stress (Fonte: IBAB e Revista Veja nº 1556, 22/07/1998), ou seja, como nosso corpo e mente reagem diante de uma situação de ameaça.

No corpo, o stress é percebido através de dores musculares, transpiração, dores de cabeça, sensação de desmaio iminente, sensação de sufocamento, dor de estômago, náusea, vômito, intestino solto, constipação, freqüência e urgência para urinar, perda de interesse no sexo, cansaço, calafrios ou tremores, perda ou ganho de peso, atenção exagerada aos batimentos cardíacos. 

O stress afeta também as emoções porque o estressado fica vulnerável ao pânico, ansiedade profunda, depressão, angústia, irritabilidade, inquietação, incapacidade de relaxar e desejos intensos de fuga.

O stress afeta a vontade, porque este desequilíbrio emocional e orgânico faz com que o estressado se renda às possíveis soluções convenientes e menos custosas, fazendo inclusive com que ele perca a capacidade de reagir na direção contrária aos fatores de desequilíbrio. (...) Os sintomas desta perda de controle sobre si mesmo são: problemas para dormir, nervosismo, tremores infundados, choro descontrolado.

A mente também sofre com o stress. Uma pessoa estressada vive ansiosa, com dificuldade de concentração, dificuldades com a memória e mergulhada em devaneios e abstrações.

Diante dos sintomas apresentados acima, chegamos ao ponto central do artigo, isto é: Como o caminho da espiritualidade cristã pode nos ajudar amortiçar os efeitos do stress?

O ser humano é mais do que um ser bio-psíquico. Ele possui uma dimensão espiritual, portanto, possui a capacidade de transcender. Como disse Ed René: “Quem é capaz de exercitar a fé vê mais longe, voa mais alto, chega mais adiante.” Jesus foi aquele que soube passar pelas contingências da vida sem ser abalado por elas, portanto, com base no que foi ensinado por Ele em Mateus 6.6, extrair-se-á ensinamentos para amortecer os efeitos do stress sobre a nossa saúde mental, física e emocional.

Disse Jesus: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.”

Muitas vezes, a mente está inquieta em virtude de cobranças, coisas para se fazer, contas para pagar, e isso acaba gerando ansiedade. Jesus ensina que em momentos como este, devemos orar, ou seja, “entrar na presença do Pai”. Jesus ensinou que a “carne” é fraca, mas o “espírito” é forte, isto é, a carne está sujeita as contingências dessa vida, envelhece, fica senil, enquanto que, o espírito é transcendente, ou seja, vai além dos limites bio-psíquico. Bem observou Teilhard de Chardin (apud: Stephen Covey) : "Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual. Somos seres espirituais passando por uma experiência humana".

Em conexão com Deus, temos a oportunidade de fazer uma releitura do mundo exterior e interior, na presença dEle temos a oportunidade de refazer estruturas psíquicas, e receber novas diretrizes existenciais. A oração nos proporciona novas percepções, novos processos, novas atitudes mentais e emocionais, possíveis tão somente na comunhão com Deus. A oração nos proporciona uma profunda experiência de presença e comunhão com o Pai. Na comunhão com Ele obtemos paz, a mesma é experimentada não quando equacionamos os fatores estressantes, mas sim, quando na experiência de comunhão com o Pai desfrutamos da sua presença.

Uma das coisas que Jesus deixa claro é que a oração abre caminhos para a intervenção de Deus. Diz Ele: “o Pai que vê em secreto, recompensa”. Portanto, a conexão com Deus nos leva para patamares que vão além da mente e da matéria, colocando-nos diante de infinitas possibilidades do mundo espiritual. Bem observou Ed René: “Quando as aflições forem demasiadamente intensas, as palavras fugirem, os sentimentos parecerem confusos, os pensamentos se multiplicarem sem parar, o corpo estiver exaurido, entre no seu quarto, feche sua porta e fique diante do Abba, que vê em secreto. Jamais despreze as oportunidades de um momento de joelhos em silêncio. Jamais descreia das recompensas que podem se derramar sobre você enquanto está num momento de conexão com o Divino”.

Os efeitos do stress serão atenuados quando aprendermos o caminho da comunhão com o Pai e fizermos da transcendência uma relação pessoal e profunda com Deus, ou nas palavras do apóstolo Pedro: “lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” Comunhão com o Pai implica na crença de que os recursos disponíveis para o homem exterior (carne) e para o homem interior (espírito) são sempre muito mais abrangentes do que aos nossos olhos aparentam ser.

Concluo este artigo com as palavras de Louis H. Evans: “O homem que se ajoelha diante de Deus pode resistir de pé a qualquer outra coisa.”

Pr.Fernando Gonçalves Dias