terça-feira, 23 de março de 2010

Ser humano e a natureza – Uma relação conturbada (Parte II)

Podemos observar na primeira parte deste artigo como a relação humana com a comunidade de vida está conturbada e hoje, mais do que nunca, as palavras de Leonardo Boff se fazem reais em meio a esta crise que estamos vivendo. Diz ele: “A casa comum (ethos em grego) precisa de uma ética que mantenha a família humana integrada, afaste os riscos de uma eventual devastação da vida e garanta para ambas um futuro de esperança.” Este artigo tem como proposta, à luz da teologia, trazer um arcabouço de como deve ser a relação do ser humano criado à imagem de Deus com a natureza.

E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom (...) (Gn. 1.31)
E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar.(Gn.2.15).

Ao criar o homem e a mulher, Deus os vocacionou para serem cooperados na manutenção e conservação da vida em todas as suas esferas. Logo, cabe a nós seres criados por Deus, a responsabilidade de cuidarmos daquilo que nos foi entregue.

Os abusos vistos pelos meios de comunicação nada tem haver com o cuidado, com o zelo e com a preservação da vida, pelo contrário, tem sido marca registrada deste ser que se desconectou do seu criador. Sendo assim, o que prevalece é a ganância, resultado de um ser humano afastado de Deus e de seus ditames.

Com base em Gn 1 e 2 podemos alinhavar alguns princípios de como deve ser a relação humana com a natureza.

· Homem e mulher devem desfrutar daquilo que a terra produz, porém, sem destruí-la.
· Assim como o ser humano descansa após trabalhar para recuperar as suas energias, deve permitir que a natureza com os seus recursos alcancem em tempo hábil recuperação depois de ser desfrutada pelo mesmo. Na Amazônia, por exemplo, árvores são derrubadas e o ser humano com sua ganância não permite tempo hábil de recuperação do local devastado.
· Homem e mulher devem saber que existem limites estabelecidos no que tange a natureza. Logo, quando o ser humano ultrapassa o limite de respeito, os resultados são catastróficos.

A cultura exploratória da nossa sociedade não passa nem perto daquilo que foi preconizado por Deus com relação à interação do ser humano com a sua criação. Se cada um de nós fizer a nossa parte, o sistema planetário ficará melhor e as condições de vida melhorarão.

Mas enquanto a humanidade viver abusando dos recursos fornecidos pelo planeta, as coisas irão de mal a pior. Enquanto o ser humano buscar soluções apenas para as mazelas humanas pensando que apenas eles são seres vivos, deixando de incluir todas as formas de vida, as outras formas de vida morrerão, e com isto, nós pagaremos o preço como já temos percebido.

Como bem avaliou Boff: “Como a nossa vida é vida com outras vidas, a ética do respeito à vida deverá ser sempre um com-viver e um com-sofrer com os outros.” Logo, continua ele: “Tu deves viver convivendo e conservando a vida, este é o maior dos mandamentos na sua forma mais elementar.”

Ou o ser humano muda e volta para o seu criador e se relaciona com a natureza a partir dos paradigmas deixados por Deus, ou não teremos futuro, tendo em vista as devastações e conturbações impostas ao planeta por força da ganância humana.

Pr. Fernando Gonçalves Dias



3 comentários:

Anônimo disse...

Estimado Pastor Fernando
O texto postado retrata uma realidade cruel de nossos dias - o individualismo extremo que esta disposto a qualquer coisa para satisfazer o ego humano. Não ha limites para a destruição da natureza e do próprio homem. Faz-se necessário reflexões como esta para que possamos nos reencontrar com nossa essência. Um abraço
Cris

nós disse...

Olá, querido Fernando. Espero que suas reflexões bíblicas possam orientar os cristãos a defenderem a natureza a partir de pressupostos bíblicos. Sei que é esta a sua intenção. Mas não posso afirmar o mesmo de Boff. É uma pena que Leonardo Boff não acredite na ressurreição literal de Jesus e que seus artigos sobre ecologia escondam muitas vezes seus pressupostos panteístas e findem por enganar muitos cristãos. Boff não crê na família como nós cristãos cremos. Boff é um dos papas da Nova Era. Ele crê em Gaia e se coaduna com a religião universal que engolirá o Cristianismo autentico. Não concordo em chamar Boff de filósofo, antes disso ele é um sacerdote: o sacerdote da Religião mundial do anti-cristo. Dentre tantas pérolas pagãs, vale a pena conferir estas que Boff escreveu: "Nova era: a civilização planetária"
(Atica) e "Fundamentalismo. A globalizacao e o futuro da humanidade".
(Rio de Janeiro, Sextante).

Abraços de nós mesmos.

priscila de souza disse...

Concordo com você Fernando, pois atualmente não valorizamos e não respeitamos o meio ambiente onde estamos inseridos e isso consequentemente prejudica a nós mesmos. O fato é que existem pessoas que não se dão conta do mal que fazem ao mundo e a si própria. Precisamos mudar a nossa postura em pequenos detalhes, como deixar de jogar papel no chão.É um pequeno ato que acarreta grandes consequencias. Cada um pode e deve fazer a sua parte! Vamos cuidar da maravilhosa criação de Deus!